BELLS
Todo covarde é malandro…

É tão covarde, cuja única função é salientar quem é ou quem pode ser. Ele andava sempre pros lados, com o rosto erguido, uma garrafa de cerveja na mão e o cigarro entre os lábios. 

 ”Trazer aquilo que te mata, saber sobreviver aquilo que te destrói” Dizia com um charme inabalável, sucumbia o cigarro peito adentro e serrava os olhos ”Malandragem, malandragem criança… ” 

Num breu de silencio o seu caminho era tortuoso e o levava para um destino incerto, certamente o levaria a lugar nenhum, lutava como bravo homem que era ou julgava ser, dependia de todas suas projeções e de todo os seus planos falidos pra acreditar que um dia, um dia, algo iria acontecer. Nada dava certo, nada fazia certo. 

Em raras noites de Sobriedade conseguia lembrar-se daquela que esculpia seus dias. Metade mulher, metade amargura. Mariane embalava alegria no verso do que era tristeza. Mentia e só cobria as noites tristes, usando seu corpo como poesia e seu amor… Bem ele a amava, era o que se dizia.

Indomado, um dia saiu de casa pra nunca mais voltar, só pensando que vida era aquela que pra ele queriam dar. ”Fui comprar cigarro, volto mais tarde” E quem disse?  Partiu para o mundo, conheceu novas mulheres, tatuou-as no peito. Tudo muito rápido, tudo muito bem feito. 

Metade homem, metade vida. Mariane voltou a estudar, conseguiu um emprego. Mentira. Mariane se perdeu, como o cão abandonado na claridade de uma rodovia. Ela o amava, era o que se dizia.  

 ”Trazer aquilo que te mata, saber sobreviver aquilo que te destrói” o que saia daqueles lábios pintados da pura cor que a torturava. Apertava os dedos em meio a destilada bebida companheira ”Malandragem, todo covarde é malandro..”    

Isabella Trad